Cotidiano Diário

"Cotidiano": Adj. 1. De todos os dias, diário. "Diário": Adj. 1. Que se faz todos os dias, cotidiano. Cotidiano Diário trata sobre a coisa mais ordinária (no sentido de comum) que existe: o dia-a-dia. Relatos de acontecimentos corriqueiros, fatos que você não encontrará nos grandes meios de comunicação, como a Contigo ou Caras. E nada mais oportuno que o nome deste jornal, porque se tem algo que caracteriza bem a vida é que ela é redundante. Bem-vindo ao Cotidiano Diário.

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sexta-feira, março 09, 2007

Quanto custa a meia?


Por Fernando Booyou
Publicado na Revista Tablado edição de 16/01 a 02/03/2007

Foto: Marimoon

Tem gente que vive com meia e entrada. Mas até para ser fudido tem limite.




“E aí, quando vai rolar de novo aquela ‘pecinha’ pra gente ver”? Engraçado como as pessoas diminuem a profissão de ator. Pecinha... Ninguém vê alguém chegando para um engenheiro dizendo “quando é que você vai construir mais um prediozinho”? ou “fulaninho, você que é advogadozinho e vive passando na varinha de justiçazinha, sabe quando sai a respostinha daquele casinho que estava sendo julgadozinho”? Acho que algumas pessoas ainda têm a imagem de que “teatrinho” é um bando de menininhos vestidinhos de bichinhos num cenariozinho bonitinho esperando um lobinho vim pegar a chapeuzinho. É tão prova de que ninguém leva a sério o trabalho de ator que ainda tem gente que pergunta “e aí, tá trabalhando com o que”? “Eu?! Eu sou ator”. “Tá, mas com o que você REALMENTE trabalha”? Parece inacreditável, mas ser ator é REALMENTE o ganha-pão de muita gente. E uma das coisas que complicam essa profissão é a forma de pagamento.


Independente de preferir teatro a cinema ou vice-versa, o que é realmente preferência de todos é o direito à meia entrada. Quando foi criado, tinha como objetivo fortificar a cultura desde cedo, facilitando o acesso de estudantes ao meio cultural. Mas hoje, o retrato que se tem é que a meia custa caro. Primeiro, porque todos grandes eventos duplicaram o preço do ingresso e vendem tudo por preço de meia entrada, e sem cobrar carteirinha na maioria das vezes. Segundo, porque o artista não paga meia conta de luz, meia conta de água, meia prestação das Casas Bahia, mas recebe em meia.


Óbvio que a solução não é acabar com a meia. Mas não seria hora de ter uma fiscalização mais rigorosa para não prejudicar o preço para os estudantes? E também não seria bom o Governo pensar em algum tipo de repasse para o artista, uma vez que a cultura é fundamental no processo de educação e desenvolvimento da sociedade? Sem contar que a obrigação de formar o indivíduo cidadão é mais que individual, é do Estado. Por isso que pais pagam escolas, para que seus filhos se tornem engenheiros, advogados... não atores fud#$@s e meio.

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