Cotidiano Diário

"Cotidiano": Adj. 1. De todos os dias, diário. "Diário": Adj. 1. Que se faz todos os dias, cotidiano. Cotidiano Diário trata sobre a coisa mais ordinária (no sentido de comum) que existe: o dia-a-dia. Relatos de acontecimentos corriqueiros, fatos que você não encontrará nos grandes meios de comunicação, como a Contigo ou Caras. E nada mais oportuno que o nome deste jornal, porque se tem algo que caracteriza bem a vida é que ela é redundante. Bem-vindo ao Cotidiano Diário.

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quinta-feira, março 29, 2007

Campanha Nacional pelo Ornitorrinco da Páscoa

Publicado na Revista Tablado
Por Fernando Booyou

Como sempre, já começo pedindo desculpas. Dessa vez, peço indulgência aos cristãos. Porque sejamos sinceros, o cristianismo não é muito bom na hora de escolher símbolos para representar suas datas comemorativas.

Por exemplo: o Natal, a data em que comemoramos o nascimento de Jesus. Já existem comprovações científicas de que o tal menino não nasceu no dia 25 de dezembro. Até aí, tudo bem. A pergunta é “por que diabos escolheram um velhinho barbudo e barrigudo para ser o símbolo do Natal”? A resposta é simples. Já imaginaram como seriam as campanhas publicitárias usando um surfista crucificado?! O motivo é mercadológico, sempre. “Você também está pregado? Dividimos tudo em 10 vezes e só comece a pagar na Páscoa”. Realmente, a imagem do bom velhinho é bem mais vendável nessas horas.

E por falar em Páscoa, de onde tiraram que o símbolo deveria ser um coelho? Dizem que a semana santa marca a morte e o renascimento do nosso salvador, e o coelho é uma simbologia que representa a procriação, a fertilidade, uma forma de simbolizar a ressurreição do escolhido. Mas se o quesito era fertilidade, por que não escolheram um rato que se procria mais vezes e bem mais rápido que um coelho? Ou então a barata que realmente coloca ovos? Mercadologia! Quem em sã consciência compraria um doce em forma de rato ou ovos de barata de chocolate?! Por isso que lanço a proposta. Neste ano, vamos instituir o Ornitorrinco como o verdadeiro símbolo da Páscoa. Para começar, ele é o único mamífero que coloca ovos. Segundo, é sonoro e encaixa na métrica da música: “Ornitorrinco da Páscoa o que trazes pra mim? Um ovo, dois ovos, três ovos assim”. Sem contar que existem no mundo menos ornitorrincos que coelhos, e com isso fica mais barato pagar o royalty pelo uso da marca.

Espero não ser crucificado por conta dessa campanha.

sexta-feira, março 16, 2007

A importância do “Foda-se” como meio libertador.

Por Fernando Booyou
Publicado na Revista Tablado de 16/03 a 30/03/2007
Literalmente, ligando o Foda-se!
Antes de qualquer coisa, desculpas pelo “foda-se” logo de início. Mas é impossível falar de sua importância sem mencionar essas exatas palavras. Por isso, peço para que vocês, caros leitores, vejam esse termo como uma mera expressão sem dar a imensa importância que a sociedade exige. Somos sempre instruídos a acreditar que o foda-se é algo feio, sem perceber que isso faz parte de um processo opressor que nos força a entrar em um padrão que foi estabelecido nem por mim, nem por você, nem por ninguém vivo ainda hoje. Assim sendo, é hora de tocar o foda-se.

O verbo foder e suas variações funcionam como um mecanismo libertador e pode ser utilizado nos mais diferentes contextos. Por exemplo:

Em vez de falar para seu chefe “diversos procedimentos internos podem dificultar a execução da tarefa. Por isso, não vejo necessidade de priorizar esse projeto agora” experimente dizer “tá foda de fazer. Quer saber, foda-se esse projeto!”. Você economizará tempo para empresa e será orgulho dentro da organização. Haverá também uma necessidade imensa de encaixar o termo “porra” no lugar de “projeto”. Mas calma, um passo de cada vez.

Imagine nosso presidente ao receber o mundialmente querido George W. Bush. Na reunião, em vez de “não vemos benefícios em aderir ao seu plano e não concordamos com as taxas estabelecidas”, ele poderia felizmente dizer “foda-se seu plano e essa taxa tá foda”. De fato, diplomacia não é nosso forte.

As mulheres, no lugar de “fiquei te esperando a noite toda. Agora tô cansada e com dor de cabeça”, basta simplesmente dizer “pegue essa revista pornô, vá para o banheiro e você que se foda”.

É claro que inúmeros exemplos ficaram de fora. Mesmo assim, podemos perceber que o foda-se tem função fundamental para o bem-estar social. Por isso, até poderia dizer que “caso não concorde, todos temos direito de ter nossas diferentes opiniões e convicções”. Em vez disso, prefiro “sua opinião é importante. Mas se você não curtiu, foda-se”!

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segunda-feira, março 12, 2007

Sorte de hoje no Orkut


Por Fernando Booyou

Bem, normalmente não publicamos comentários tão pessoais, mas esse merece destaque. Já é notório para usa o Orkut que o site de relacionamento sempre tenta expor a sorte que o usuário vai ter no dia. Mas às vezes soa até enigmático o que ele quer dizer. Por isso, exponho o meu comentário e espero que vocês leitores possam dar sua contribuição para compreensão da mensagem.


Sorte de hoje:Você tem um equipamento incomum para o sucesso, use-o corretamente.


Alguma sugestão?

Tu Casa Mi Casa: [foto] - Dentro e Fora (In & Out)

Pela Editoria

Trabalho de fotoarte de Michel Gomes, artista que anda com os pés no exterior, mas com o coração em Brasília. Vale a pena dar uma conferida.

sábado, março 10, 2007

Como o Oscar® influencia minha vida ou “a função do Oscar® dentro do contexto sócio-econômico-cultural brasileiro” só para falar bonito.


Por Fernando Booyou
Publicado na Revista Tablado de 02 a 16/03/2007

Foto: Divulgação
Dá para contar nos dedinhos (inclusive da mão do Lula) quantos filmes nacionais bons nós temos.

Você que não assistiu a premiação da Academia desse ano ou do ano passado ou se você ainda não pretende assistir a do ano que vem, aí vai um resumo:

Aquela piada no começo foi demais, pena que a tradução simultânea fez parecer que era a coisa mais idiota do mundo (se bem que, repensando agora, realmente foi meio sem graça mesmo); aquele indicado que era favorito na sua categoria não levou o prêmio, de novo!!!; surge o novo recorde de discurso mais longo e desnecessário (mesmo assim, ainda perdeu para os discursos do Festival de Cinema de Brasília. Parabéns Felipe!); aquela atriz que ninguém agora lembra o nome fez cara de inveja porque foi a outra que levou o prêmio; nenhum filme ou ator brasileiro ganhou uma estatueta ou sequer foi indicado. Porque, quando é indicado, tem que torcer para que alguns dos mais de 6.000 membros da Academia assistam ao filme. Afinal, por ser uma maioria de americanos, a Academia não dá a mínima para o que acontece no cinema fora EUA e não está acostumada a assistir filmes legendados. Mas o mais importante é fazer uma reflexão sobre a influência do Oscar® no nosso cotidiano.

Sejamos sinceros. A premiação do Oscar® não altera em nada nossas vidas, a não ser em um aspecto: filas longas de cinema. Brasileiro tem esse problema de esperar alguém de fora indicar, senão não é bom. Então, não adianta a Contigo, Caras ou Tablado fazerem indicações ou os críticos de jornal dizerem que cinema iraniano merece 5 estrelas, pois a referência é a estatueta. E a conseqüência são filas imensas que impedem mães, pessoas que realmente entendem de filme, de levarem seus filhos para assistirem Eliane e os Golfinhos. Isso interfere nossa sociedade de ter acesso à cultura, vendem-se mais ingressos elevando a lei de oferta/procura e com isso aumentam-se os preços. E como os filmes nacionais não foram premiados, ninguém assiste. O que acaba enfraquecendo nossas produções e, consequentemente, fazemos uma grande quantidade de filmes que não podem concorrer ao Oscar®.

sexta-feira, março 09, 2007

Quanto custa a meia?


Por Fernando Booyou
Publicado na Revista Tablado edição de 16/01 a 02/03/2007

Foto: Marimoon

Tem gente que vive com meia e entrada. Mas até para ser fudido tem limite.




“E aí, quando vai rolar de novo aquela ‘pecinha’ pra gente ver”? Engraçado como as pessoas diminuem a profissão de ator. Pecinha... Ninguém vê alguém chegando para um engenheiro dizendo “quando é que você vai construir mais um prediozinho”? ou “fulaninho, você que é advogadozinho e vive passando na varinha de justiçazinha, sabe quando sai a respostinha daquele casinho que estava sendo julgadozinho”? Acho que algumas pessoas ainda têm a imagem de que “teatrinho” é um bando de menininhos vestidinhos de bichinhos num cenariozinho bonitinho esperando um lobinho vim pegar a chapeuzinho. É tão prova de que ninguém leva a sério o trabalho de ator que ainda tem gente que pergunta “e aí, tá trabalhando com o que”? “Eu?! Eu sou ator”. “Tá, mas com o que você REALMENTE trabalha”? Parece inacreditável, mas ser ator é REALMENTE o ganha-pão de muita gente. E uma das coisas que complicam essa profissão é a forma de pagamento.


Independente de preferir teatro a cinema ou vice-versa, o que é realmente preferência de todos é o direito à meia entrada. Quando foi criado, tinha como objetivo fortificar a cultura desde cedo, facilitando o acesso de estudantes ao meio cultural. Mas hoje, o retrato que se tem é que a meia custa caro. Primeiro, porque todos grandes eventos duplicaram o preço do ingresso e vendem tudo por preço de meia entrada, e sem cobrar carteirinha na maioria das vezes. Segundo, porque o artista não paga meia conta de luz, meia conta de água, meia prestação das Casas Bahia, mas recebe em meia.


Óbvio que a solução não é acabar com a meia. Mas não seria hora de ter uma fiscalização mais rigorosa para não prejudicar o preço para os estudantes? E também não seria bom o Governo pensar em algum tipo de repasse para o artista, uma vez que a cultura é fundamental no processo de educação e desenvolvimento da sociedade? Sem contar que a obrigação de formar o indivíduo cidadão é mais que individual, é do Estado. Por isso que pais pagam escolas, para que seus filhos se tornem engenheiros, advogados... não atores fud#$@s e meio.

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quinta-feira, março 08, 2007

Dia Internacional da Costela

Por Fernando Booyou
Diz o folclore bíblico que primeiro Deus fez o homem e deu-lhe o nome de Adão. E tudo era calmo e tranqüilo. Mas o homem se sentia só (provavelmente, porque as cabritinhas, vaquinhas e outras "inhas" não deram conta do recado). Então, da costela de Adão, Ele fez a mulher. E, talvez sem querer, fez também a primeira piada: "Se da costela já saiu assim, imaginou se tivesse sido feito de filé"? Se essa é velha, também não é de hoje que muita mulher se sente como um pedaço de carne em exposição na churrascaria, onde sempre passa um, dá aquela olhada seguida de uma lambida no beiço e diz "a minha com pouca gordura".

Aliás, lamento os fiéis fervorosos que se sentiram ofendidos com o fato de meu raciocínio começar chamando a origem humana de folclore, passando pela zoofilia de Adão e chegando na mulher como carne de churrascaria (de primeira, diga-se de passagem). Eu sei que tem o estereótipo de que na publicidade só tem ateu, que enche a cara de cerveja e que passa o dia inteiro fumando maconha. Como defesa, digo que isso é coisa do passado. Afinal, já existem o ecstasy e outras novas drogas. Mas voltemos ao assunto.

Se não é sendo tratada como maminha (sei que já tem algum marmanjo pensando nos possíveis duplos sentidos que a palavra proporciona), é servindo de piada pelos corredores. Com certeza, alguma moça inocente escutou algo tipo "pelo menos um dia do ano" ou "o restante dos dias são nossos". Para esses gentis exemplos de homem, um recado: não que as mulheres não gostem de serem admiradas, mas também não precisa transparecer o que vocês realmente estão pensando. Respeite e quem sabe um dia você esteja apto para a degustação. E para as mulheres, outro recado: perdoem-nos. Ao contrário de vocês, que se dão o luxo de desperdiçar sangue uma vez por mês, nós somos seres imperfeitos e inferiores, que têm sangue suficiente para que apenas uma das cabeças funcione. E só lembrando: hoje não é para dizer que os outros dias são dos homens, mas sim para relembrar todas as conquistas que as mulheres obtiveram. Parabéns pelo dia que está passando (porque mal passado não dá).

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